A SpaceX lancou o primeiro Starship V3 em 22 de maio em voo de teste designado Flight 12, partindo de Starbase, Texas, as 18h30 (horario do leste). O Ship completou separacao de estagios, chegou ao SECO (Second Engine Cutoff) e fez splashdown controlado no Oceano Indico cerca de 66,5 minutos apos liftoff, apesar de duas anomalias em tempo real.
A configuracao do V3
Starship V3 e a iteracao mais potente do foguete ate hoje. O Super Heavy traz 33 motores Raptor 3 com empuxo combinado acima de 18 milhoes de libras — o que faz dele o foguete operacional mais potente ja construido. A versao incorpora milhares de mudancas em relacao a iteracoes anteriores, tocando praticamente todo grande sistema do booster e do ship.
Flight 12 foi tambem o primeiro lancamento da segunda plataforma do Starbase, o que sinaliza progresso em cadencia operacional. Operacao de dois pads em paralelo e a unica forma de a SpaceX bater o ritmo de lancamento que precisa pra justificar a economia do projeto.
O que rolou na pratica durante o voo
A sequencia foi parcialmente nominal. Liftoff aconteceu como planejado. A separacao de estagios entre Super Heavy e Ship funcionou. O Ship reacendeu motores e avancou rumo a orbita parcial, hitting SECO — o momento em que os motores do estagio superior sao desligados. Esse foi o teste mais capaz do programa Starship ate aqui.
Dois problemas apareceram. Um dos seis motores do Ship desligou logo apos a ignicao, e o boostback burn do Super Heavy terminou prematuramente. Nenhum dos dois impediu o cumprimento dos objetivos principais. O Super Heavy nao foi recuperado (nao era plano) e caiu no Golfo do Mexico. O Ship fez splashdown no Indico como planejado.
Primeira vez no programa: deploy de Starlink
O outro marco do voo foi o deploy de 22 simuladores de Starlink em orbita — primeira vez que o programa Starship libera carga util de cliente real. Dois dos simuladores estavam equipados com cameras pra observar o escudo termico do Starship durante reentrada.
A SpaceX usa Starlink como driver de revenue (e cobertura), entao validar a capacidade do Starship de fazer deploy desse satelite e pre-condicao pra Starship substituir o Falcon 9 como veiculo principal da constelacao. Esse pedaco do voo — deploy, nao splashdown — e o que mais importa pra o caso de negocio.
O que a falha no boostback significa
O Super Heavy nao executou boostback burn completo. Em voos onde o booster e recuperado (com captura pelas chopsticks no Starbase), boostback e a manobra que joga o booster de volta pra perto da plataforma. Em Flight 12, a recuperacao nao era objetivo declarado, mas o burn ainda precisaria funcionar pra simular o profile real.
A SpaceX nao detalhou causa raiz publicamente, e tipicamente espera dias pra liberar analise. Pro programa, esse e o tipo de falha que atrasa as primeiras tentativas de captura do V3, que viraram parte do roadmap pra demonstrar reutilizacao completa do estagio inferior.
Onde o V3 muda o jogo
A escala do V3 e o que abre cenarios novos. Mais empuxo significa mais carga, e mais carga significa missoes que antes precisavam de varios lancamentos podem caber em um. Pra contratos de cargo lunar (Artemis), satelite militar pesado e a versao Starlink V3 (que tambem cresceu), o V3 e pre-condicao pratica.
Nao significa que tudo no V3 esta pronto. Reentrada confiavel, captura de booster e cadencia regular continuam abertos. Mas demonstrar voo, SECO e deploy num primeiro lancamento de V3 e validacao de arquitetura — nao do roadmap completo.
O que a empresa ainda nao explicou
A SpaceX nao publicou ainda analise oficial da anomalia do motor no Ship, nem do boostback prematuro. Tambem nao ha cronograma firme pro Flight 13, nem indicacao publica de quantos voos V3 sao planejados antes da primeira tentativa de captura do booster.
IPO da SpaceX continua no radar de investidor, e o cronograma de Starship influencia avaliacao. Sem cadencia firme de teste, fica dificil pra analista projetar receita de carga util pesada nos proximos anos.
O criterio que vale acompanhar
Pra observador casual do programa, a metrica mais util pros proximos meses nao e “deu certo ou nao”. E cadencia: quantos voos por mes a SpaceX consegue rodar com V3, e quantos terminam com soft splashdown sem reignition issue. Cadencia alta com falha controlada acelera aprendizado e bate o cronograma. Cadencia baixa, mesmo com sucesso parcial, atrasa tudo.
Reportado originalmente por Space.com em 2026-05-22.



